Questões de Língua Portuguesa — 3º ano EM
Argumento Tá legal Eu aceito o...
Argumento
Tá legal
Eu aceito o argumento
Mas não me altere o samba tanto assim
Olha que a rapaziada está sentindo a falta
De um cavaco, de um pandeiro e de um tamborim
Sem preconceito
Ou mania de passado
Sem querer ficar do lado
De quem não quer navegar
Faça como o velho marinheiro
Que durante o nevoeiro
Leva o barco devagar.
PAULINHO DA VIOLA. Disponível em: www.paulinhodaviola.com.br. Acesso em: 6 dez. 2012.
Na letra da canção, percebe-se uma interlocução. A posição do emissor é conciliatória entre as tradições do samba e os movimentos inovadores desse ritmo. A estratégia argumentativa de concessão, nesse cenário, é marcada no trecho
“Mas não me altere o samba tanto assim”.
“Olha que a rapaziada está sentindo a falta”.
“Sem preconceito / Ou mania de passado”.
“Sem querer ficar do lado / De quem não quer navegar”.
“Leva o barco devagar”.
Alguns elementos linguísticos estabelecem relações...

Alguns elementos linguísticos estabelecem relações entre as diferentes partes do texto. Nesse texto, o vocábulo “Assim” (ℓ. 9) tem a função de
contrariar os argumentos anteriores.
sintetizar as informações anteriores.
acrescentar um novo argumento.
introduzir uma explicação.
apresentar uma analogia.
Brasil: o país dos 100 milhões de raios...
Brasil: o país dos 100 milhões de raios
Dos 3,15 bilhões de raios que golpeiam a Terra e seus habitantes durante um ano, 100 milhões deles vêm desabar em terras brasileiras. O número, divulgado no ano passado por uma equipe de cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos, São Paulo, não é superado por nenhum outro país. E ficou bem acima das estimativas que davam conta de 30 milhões ao ano. Agora, sabemos com segurança: em quantidade de relâmpagos, ninguém segura este país.
FON, A.C.; ZANCHETTA, M.l. Disponível em: http://super.abril.com.br. Acesso em:27jan. 2015
Diversos expedientes argumentativos são empregados
nos textos para sustentar as ideias apresentadas. Nesse
texto, a citação de um instituto especializado é uma
estratégia para
apresentar as estimativas de incidência de raios em terras brasileiras.
promover discussão sobre as consequências das descargas de raios.
conferir credibilidade aos resultados de uma investigação sobre raios.
comparar o número de raios incidentes no Brasil e no mundo.
Da timidez...
Da timidez
Ser um tímido notório é uma contradição. O tímido tem horror a ser notado, quanto mais a ser notório. Se ficou notório por ser tímido, então tem que se explicar. Afinal, que retumbante timidez é essa, que atrai tanta atenção? Se ficou notório apesar de ser tímido, talvez estivesse se enganando junto com os outros e sua timidez seja apenas um estratagema para ser notado. Tão secreto que nem ele sabe. É como no paradoxo psicanalítico, só alguém que se acha muito superior procura o analista para tratar um complexo de inferioridade, porque só ele acha que se sentir inferior é doença.
[...]
O tímido tenta se convencer de que só tem problemas com multidões, mas isto não é vantagem. Para o tímido, duas pessoas são uma multidão. Quando não consegue escapar e se vê diante de uma plateia, o tímido não pensa nos membros da plateia como indivíduos. Multiplica-os por quatro, pois cada indivíduo tem dois olhos e dois ouvidos. Quatro vias, portanto, para receber suas gafes. Não adianta pedir para a plateia fechar os olhos, ou tapar um olho e um ouvido para cortar o desconforto do tímido pela metade. Nada adianta. O tímido, em suma, é uma pessoa convencida de que é o centro do Universo, e que seu vexame ainda será lembrado quando as estrelas virarem pó.
VERISSIMO, L. F. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
Entre as estratégias de progressão textual presentes nesse trecho, identifica-se o emprego de elementos conectores. Os elementos que evidenciam noções semelhantes estão destacados em:
“Se ficou notório por ser tímido "e"[...] então tem que se explicar".
“[...] então tem que se explicar" e "[...] quando as estrelas virarem pó".
"[...] ficou notório apesar de ser tímido[...]" e "[...] mas isto não é vantagem [...]".
“[...] um estratagema para ser notado [...]" e "Tão secreto que nem ele sabe".
“[...] como no paradoxo psicanalítico [...]" e "[...] porque só ele acha [...]".
Não adianta isolar o fumante Se...
Não adianta isolar o fumante
Se quiser mesmo combater o fumo, o governo precisa ir além das restrições. É preciso apoiar quem quer largar o cigarro.
Ao apoiar uma medida provisória para combater o fumo em locais públicos nos 27 estados brasileiros, o Senado reafirmou um valor fundamental: a defesa da saúde e da vida.
Em pelo menos um aspecto a MP 540/2011 é ainda mais rigorosa que as medidas em vigor em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Paraná, estados que até agora adotaram as legislações mais duras contra o tabagismo. Ela proíbe os fumódromos em 100% dos locais fechados, incluindo até tabacarias, onde o fumo era autorizado sob determinadas condições.
Uma das principais medidas atinge o fumante no bolso. O governo fica autorizado a fixar um novo preço para o maço de cigarros. O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) será elevado em 300%. Somando uma coisa e outra, o sabor de fumar se tornará muito mais ácido. Deverá subir 20% em 2012 e 55% em 2013.
A visão fundamental da MP está correta. Sabe-se, há muito, que o tabaco faz mal à saúde. É razoável, portanto, que o Estado aja em nome da saúde pública.
Época, 28 nov. 2011 (adaptado).
O autor do texto analisa a aprovação da MP 540/2011 pelo Senado, deixando clara a sua opinião sobre o tema. O trecho que apresenta uma avaliação pessoal do autor como uma estratégia de persuasão do leitor é:
“Ela proíbe os fumódromos em 100% dos locais fechados".
"O governo fica autorizado a fixar um novo preço para o maço de cigarros.’’
“O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) será elevado em 300%."
“Somando uma coisa e outra, o sabor de fumar se tornará muito mais ácido."
" Deverá subir 20% em 2012 e 55% em 2013."
Ao interagirmos socialmente, é comum...

Ao interagirmos socialmente, é comum deixarmos claro nosso posicionamento a respeito do assunto discutido. Para isso, muitas vezes, recorremos a determinadas estratégias argumentativas, dentre as quais se encontra o argumento de autoridade.
Considerando o texto em suas cinco partes, constata-se
que há o emprego de argumento de autoridade no trecho:
Anfíbio com formato de cobra é descoberto...
Anfíbio com formato de cobra é descoberto
no Rio Madeira (RO)
Animal raro foi encontrado por biólogos em canteiro de obras de usina. Exemplares estão no Museu Emilio Goeldi, no Pará
O trabalho de um grupo de biólogos no canteiro de obras da Usina Hidrelétrica Santo Antônio, no Rio Madeira, em Porto Velho, resultou na descoberta de um anfíbio de formato parecido com uma cobra. Atretochoana eiselti é o nome científico do animal raro descoberto em Rondônia. Até então, só havia registro do anfíbio no Museu de História Natural de Viena e na Universidade de Brasília. Nenhum deles tem a descrição exata de localidade, apenas "América do Sul". A descoberta ocorreu em dezembro do ano passado, mas apenas agora foi divulgada.
XIMENES, M. Disponível em: http://g1.globo.com. Acesso em: 1 ago. 2012.
A notícia é um gênero textual em que predomina a função referencial da linguagem. No texto, essa predominância evidencia-se pelo(a)
recorrência de verbos no presente para convencer o leitor.
uso da impessoalidade para assegurar a objetividade da informação.
questionamento do código linguístico na construção da notícia.
emprego dos sinais de pontuação para expressar as emoções do autor.
Quando Rubem Braga não tinha assunto, ele abria a janela e encontrava...
Quando Rubem Braga não tinha assunto, ele abria a janela e encontrava um. Quando não encontrava, dava no mesmo, ele abria a janela, olhava o mundo e comunicava que não havia assunto. Fazia isso com tanto engenho e arte que também dava no mesmo: a crônica estava feita. Não tenho nem o engenho nem a arte de Rubem, mas tenho a varanda aberta sobre a Lagoa — posso não ver melhor, mas vejo mais. [...] Nelson Rodrigues não tinha problemas. Quando não havia assunto, ele inventava. Uma tarde, estacionei ilegalmente o Sinca-Chambord na calçada do jornal. Ele estava com o papel na máquina e provisoriamente sem assunto. Inventou que eu descia de um reluzente Rolls Royce com uma loura suspeita, mas equivalente à suntuosidade do carro. Um guarda nos deteve, eu tentei subornar a autoridade com dinheiro, o guarda não aceitou o dinheiro, preferiu a loura. Eu fiquei sem a multa e sem a mulher. Nelson não ficou sem assunto.
CONY, C. H. Folha de S. Paulo. 2 jan. 1998 (adaptado).
O autor lançou mão de recursos linguísticos que o auxiliaram na retomada de informações dadas sem repetir textualmente uma referência. Esses recursos pertencem ao uso da língua e ganham sentido nas práticas de linguagem. É o que acontece com os usos do pronome "ele" destacados no texto. Com essa estratégia, o autor conseguiu
comparar Rubem Braga com Nelson Rodrigues, dando preferência ao primeiro.
sugerir que os dois autores escrevem crônicas sobre assuntos semelhantes.
produzir um texto obscuro, cujas ambiguidades impedem a compreensão do leitor.
...

Veja. 27 abr. 2011 (adaptado).
Os textos pertencem a gêneros em razão de configurações e de propósitos comunicativos específicos, os quais
revelam sua função social. O texto em análise apresenta-se como
uma peça publicitária, uma vez que promove o produto de uma instituição financeira.
um panfleto, porque visa a orientar a população para desenvolver práticas ecológicas.
uma notícia, pois informa a criação de um banco para cuidar de recursos hídricos.
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. A gente se acostuma a...
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir todas as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
COLASANTI, M. Eu sei, mas não devia. Rio de Janeiro: Rocco, 1996.
A progressão é garantida nos textos por determinados recursos linguísticos, e pela conexão entre esses recursos e as ideias que eles expressam. Na crônica, a continuidade textual é construída, predominantemente, por meio
do emprego de vocabulário rebuscado, possibilitando a elegância do raciocínio.
da repetição de estruturas, garantindo o paralelismo sintático e de ideias.
da apresentação de argumentos lógicos, constituindo blocos textuais independentes.
da ordenação de orações justapostas, dispondo as informações de modo paralelo.
da estruturação de frases ambíguas, construindo efeitos de sentido opostos.