Questões de Língua Portuguesa — 3º ano EM

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3º ano EM : Língua Portuguesa - Produção de Textos — Argumentação e ENEM Ver questão no Backoffice
Ser cronista

    Sei que não sou, mas tenho meditado ligeiramente no assunto. 
    Crônica é um relato? É uma conversa?  É um resumo de um estado de espírito? Não sei, pois antes de começar a escrever para o Jornal do Brasil, eu só tinha escrito romances e contos. 
    E também sem perceber, à medida que escrevia para aqui, ia me tornando pessoal demais, correndo o risco de em breve publicar minha vida passada e presente. o que não pretendo. Outra coisa notei: basta eu saber que estou escrevendo para o jornal, isto é, para algo aberto facilmente por todo o mundo, e não para um livro, que só é aberto por quem realmente quer, para que, sem mesmo sentir, o modo de escrever se transforme. Não é que me desagrade mudar, pelo contrário. Mas queria que fossem mudanças mais profundas e interiores que não viessem a se refletir no escrever. Mas mudar só porque isso é uma coluna ou uma crônica? Ser mais leve só porque o leitor assim o quer? Divertir? Fazer passar uns minutos de leitura? E outra coisa: nos meus livros quero profundamente a comunicação profunda comigo e com o leitor. Aqui no jornal apenas falo com o leitor e agrada-me que ele fique agradado. Vou dizer a verdade: não estou contente.

LISPECTOR, C. In: A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

No texto, ao refletir sobre a atividade do cronista, a autora questiona característica do gênero crônica como

relação distanciada entre os interlocutores.

 articulação de vários núcleos narrativos.

brevidade no tratamento da temática.

descrição minuciosa dos personagens.

público leitor exclusivo.

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    Vanda vinha do interior de Minas Gerais e de dentro de um livro de Charles Dickens. Sem dinheiro para criá-la, sua mãe a dera, com seus sete anos, a uma conhecida. Ao recebe-la, a mulher perguntou o que a garotinha gostava de comer. Anotou tudo num papel. Mal a mãe virou as costas, no entanto a fulana amassou a lista e, como uma vilã de folhetim, decretou: "A partir de hoje, você não vai mais nem sentir cheiro dessas comidas!".

   Vanda trabalhou lá até os quinze anos, quando recebeu a carta de uma prima com uma nota de cem cruzeiros, saiu de casa com a roupa do corpo e fugiu num ônibus para São Paulo.

    Todas as vezes que eu e minha irmã a importunávamos com nossas demandas de criança mimada, ela nos contava histórias da infância de gata-borralheira, fazia-nos apertar seu nariz quebrado por uma das filhas da “patroa” com um rolo de amassar pão e nos expulsava da cozinha: “Sai pra lá, peste, e me deixa acabar essa janta”.

PRATA, A. Nu de botas. São Paulo: Cia. das Letras, 2013 (adaptado). 


Pela ótica do narrador, a trajetória da empregada de sua casa assume um efeito expressivo decorrente da 

citação a referências literárias tradicionais.

alusão à inocência das crianças da época.

estratégia de questionar a bondade humanas.

descrição detalhada das pessoas do interior.

representação anedótica de atos de violência.

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Terça-feira, 30 de maio de 1893.


    Eu gosto muito de todas as festas de Diamantina; mas quando são na igreja do Rosário, que é quase pegada à chácara de vovó, eu gosto ainda mais. Até parece que a festa é nossa. E este ano foi mesmo. Foi sorteada para rainha do Rosário uma ex-escrava de vovó chamada Júlia e para rei um negro muito entusiasmado que eu não conhecia. Coitada de Júlia! Ela vinha há muito tempo ajuntando dinheiro para comprar um rancho. Gastou tudo na festa e ainda ficou devendo. Agora é que eu vi como fica caro para os pobres dos negros serem reis por um dia. Júlia com o vestido e a coroa já gastou muito. Além disso, teve de dar um jantar para a corte toda. A rainha tem uma caudatária que vai atrás segurando na capa que tem uma grande cauda. Esta também é negra da chácara e ajudou no jantar. Eu acho graça é no entusiasmo dos pretos neste reinado tão curto. Ninguém rejeita o cargo, mesmo sabendo a despesa que dá!


MORLEY, H. Minha vida de menina. São Paulo: Cia. das Letras, 1998.



O trecho apresenta marcas textuais que justificam o emprego da linguagem coloquial. O tom informal do discurso se deve ao fato de que se trata de um(a)

narrativa regionalista, que procura reproduzir as características mais típicas da região, como as falas dos personagens e o contexto social a que pertencem.
carta pessoal, escrita pela autora e endereçada a um destinatário específico, com o qual ela tem intimidade suficiente para suprimir as formalidades da correspondência oficial.
registro no diário da autora, conforme indicam a data, o emprego da primeira pessoa, a expressão de reflexões pessoais e a ausência de uma intenção literária explícita na escrita.
narrativa de memórias, na qual a grande distância temporal entre o momento da escrita e o fato narrado impõe o tom informal, pois a autora tem dificuldade de se lembrar com exatidão dos acontecimentos narrados. 
narrativa oral, em que a autora deve escrever como se estivesse falando para um interlocutor, isto é, sem se preocupar com a norma-padrão da língua portuguesa e com referências exatas aos acontecimentos mencionados.
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A animação Vida Maria


         Produzido em computação gráfica 3D e finalizado em 35 mm, o curta-metragem mostra personagens e cenários modelados com texturas e cores pesquisadas e capturadas no sertão cearense, no Nordeste do Brasil, criando uma atmosfera realista e humanizada.

           O filme nos mostra a história da rotina da personagem Maria José, uma menina de cinco anos de idade que se diverte aprendendo a escrever o nome, mas que é obrigada pela mãe a abandonar os estudos e começar a cuidar dos afazeres domésticos e trabalhar na roça.

        Enquanto trabalha, ela cresce, casa e tem filhos e depois envelhece, e o ciclo continua a se reproduzir nas outras Marias suas filhas, netas e bisnetas.



Disponível em: www.revistaprosaversoearte.com. Acesso em: 1 nov. 2021.



Esse fragmento é caracterizado como gênero sinopse, pois apresenta

posicionamento da revista sobre a produção da animação.

relato da história abordada no curta-metragem.

acontecimentos do cotidiano de uma família.

história sucinta com poucos personagens.

fatos da vida de uma menina e seus familiares.

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Prima Julieta


      Prima Julieta irradiava um fascínio singular. Era a feminilidade em pessoa. Quando a conheci, sendo ainda garoto e já sensibilíssimo ao charme feminino, teria ela uns trinta ou trinta e dois anos de idade.

      Apenas pelo seu andar percebia-se que era uma deusa, diz Virgílio de outra mulher. Prima Julieta caminhava em ritmo lento, agitando a cabeça para trás, remando os belos braços brancos. A cabeleira loura incluía reflexos metálicos. Ancas poderosas. Os olhos de um verde azulado borboleteavam. A voz rouca e ácida, em dois planos: voz de pessoa da alta sociedade.


MENDES, M. A idade do serrote. Rio de Janeiro: Sabiá, 1968.


Entre os elementos constitutivos dos gêneros, está o modo como se organiza a própria composição textual, tendo-se em vista o objetivo de seu autor: narrar, descrever, argumentar, explicar, instruir. No trecho, reconhece-se uma sequência textual

explicativa, em que se expõem informações objetivas referentes à prima Julieta.

instrucional, em que se ensina o comportamento feminino, inspirado em prima Julieta.

narrativa, em que se contam fatos que, no decorrer do tempo, envolvem prima Julieta.

descritiva, em que se constrói a imagem de prima Julieta a partir do que os sentidos do enunciador captam.

argumentativa, em que se defende a opinião do enunciador sobre prima Julieta, buscando-se a adesão do leitor a essas ideias.
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       Há quem ache difícil a leitura das bulas de remédios por causa das letras reduzidas e dos termos técnicos que deixam a compreensão das informações mais complicada. Mas as indústrias já oferecem alternativas para ajudar na leitura e no entendimento da bula.

     Consultar a bula sem orientação médica pode ser perigoso e causar ainda mais problemas para o paciente, segundo um médico endocrinologista. “Ele pode ler alguns termos técnicos e fazer má interpretação da bula, levando a prejuízos no tratamento. Qualquer dúvida, é mais interessante tirá-la com o médico que prescreveu o medicamento.”, explica.

      Para facilitar o entendimento das informações que constam das bulas, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária regulamentou algumas características com relação ao formato e à linguagem usada. “A bula obrigatória vem com perguntas e respostas, em termos simples e compreensíveis, e ficou de mais fácil leitura. A indústria é obrigada a oferecer bula em áudio, ou pode vir em tamanho maior ou em braile. O paciente, entrando em contato com a indústria, tem até dez dias para receber esse material.”, afirma o presidente do Conselho Regional de Farmácia.


Disponível em: https://g1.globo.com.
Acesso em: 15 jan. 2024 (adaptado).


Considerando a função social do gênero reportagem, a estratégia empregada nesse texto para dar credibilidade às informações apresentadas é a

supressão de marcas de informalidade.

utilização de exemplificações.

referência a fatos recentes. 

interlocução com o leitor.

fala de especialistas.

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No texto, menciona-se que a gentileza extrapola as regrasde boa educação. A argumentação construída

apresenta fatos que estabelecem entre si relações de causa e de consequência.

descreve condições para a ocorrência de atitudes educadas.

indica a finalidade pela qual a gentileza pode ser praticada.

enumera fatos sucessivos em uma relação temporal.

mostra oposição e acrescenta ideias.

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Na produção de um texto, são feitas escolhas referentes a sua estrutura, que possibilitam inferir o objetivo do autor. Nesse sentido, no trecho apresentado, o enunciado “Lugar de mulher também é na oficina” corrobora o objetivo textual de

demonstrar que a situação das mulheres mudou na sociedade contemporânea.

defender a participação da mulher na sociedade atual.

comparar esse enunciado com outro: “lugar de mulher é na cozinha”.

criticar a presença de mulheres nas oficinas dos cursos da área automotiva.

distorcer o sentido da frase “lugar de mulher é na cozinha”.

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No trecho apresentado, o sociólogo Roger Chartier caracteriza o texto eletrônico como um poderoso suporte que coloca ao alcance da humanidade o antigo sonho de universalidade e interatividade, uma vez que cada um passa a ser, nesse espaço de interação social, leitor e autor ao mesmo tempo. A universalidade e a interatividade que o texto eletrônico possibilita estão diretamente relacionadas à função social da internet de

propiciar o livre e imediato acesso às informações e ao intercâmbio de julgamentos.

globalizar a rede de informações e democratizar o acesso aos saberes.

expandir as relações interpessoais e dar visibilidade aos interesses pessoais.

propiciar entretenimento e acesso a produtos e serviços.

expandir os canais de publicidade e o espaço mercadológico.

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Com o uso das novas tecnologias, os domínios midiáticos obtiveram um avanço maior e uma presença mais atuante junto ao público, marcada ora pela quase simultaneidade das informações, ora pelo uso abundante de imagens. A relação entre as necessidades da sociedade moderna e a oferta de informação, segundo o texto, é desarmônica, porque

o jornalista seleciona as informações mais importantes antes de publicá-las.

o ser humano precisa de muito mais conhecimento do que a tecnologia pode dar.

o problema da sociedade moderna é a abundância de informações e de liberdade de escolha.

a oferta é incoerente com o tempo que as pessoas têm para digerir a quantidade de informação disponível.

a utilização dos meios de informação acontece de maneira desorganizada e sem controle efetivo.

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