Questões de História — 1º ano EM

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As informações sugeridas por Antônio Manuel estão imersas em um jornal dividido entre o “real” e o que podemos chamar de “situacional”. O artista transforma todo o clima de repressão na própria matéria de seu trabalho, utilizando os meios de comunicação como arma (irônica) contra a estrutura de poder de um Estado autoritário.

SCOVINO, F. Com as armas do inimigo. Revista de História da Biblioteca Nacional, n. 84, set. 2012 (adaptado).


No contexto histórico descrito, a estratégia adotada por alguns segmentos da imprensa para a construção de uma crítica sociopolítica foi a de

burlar a censura, contribuindo para a análise da vida social.

justificar o regime vigente, apresentando versões diversas da realidade.

estimular a livre interpretação dos fatos, atendendo aos interesses dominantes.
aprimorar o alcance das informações, apresentando as notícias em tempo real.
manipulara visão coletiva, promovendo interpretações distorcidas das notícias oficiais.
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 Quem acompanhasse os debates na Câmara dos Deputados em 1884 poderia ouvir a leitura de uma moção de fazendeiros do Rio de Janeiro: “Ninguém no Brasil sustenta a escravidão pela escravidão, mas não há um só brasileiro que não se oponha aos perigos da desorganização do atual sistema de trabalho”. Livres os negros, as cidades seriam invadidas por “turbas ignaras”, “gente refratária ao trabalho e ávida de ociosidade”. A produção seria destruída e a segurança das famílias estaria ameaçada. Veio a Abolição, o Apocalipse ficou para depois e o Brasil melhorou (ou será que alguém duvida?). Passados dez anos do início do debate em torno das ações afirmativas e do recurso às cotas para facilitar o acesso dos negros às universidades públicas brasileiras, felizmente é possível conferir a consistência dos argumentos apresentados contra essa iniciativa. De saída, veio a advertência de que as cotas exacerbariam a questão racial. Essa ameaça vai completar 18 anos e não se registraram casos significativos de exacerbação.

GASPARI, E. As cotas e a urucubaca. Folha de S. Paulo, 3 jun. 2009.

O argumento elaborado pelo autor sugere que as censuras às cotas raciais são

politicamente ignoradas.

socialmente justificadas.

culturalmente qualificadas.

historicamente equivocadas.

economicamente fundamentadas.

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Então disse: “Este é o local onde construirei. Tudo pode chegar aqui pelo Eufrates, o Tigre e uma rede de canais. Só um lugar como este sustentará o exército e a população geral”. Assim ele traçou e destinou as verbas para a sua construção, e deitou o primeiro tijolo com sua própria mão, dizendo: “Em nome de Deus, e em louvor a Ele. Construí, e que Deus vos abençoe”.

AL-TABARI, M. Uma história dos povos árabes. São Paulo: Cia. das Letras, 1995 (adaptado).


A decisão do califa Al-Mansur (754-775) de construir Bagdá nesse local orientou-se pela

disponibilidade de rotas e terras férteis como base da dominação política.

proximidade de áreas populosas como afirmação da superioridade bélica.

submissão à hierarquia e à lei islâmica como controle do poder real.

fuga da península arábica como afastamento dos conflitos sucessórios.

ocupação de região fronteiriça como contenção do avanço mongol.

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TEXTO I

A centralização econômica, o protecionismo e a expansão ultramarina engrandeceram o Estado, embora beneficiassem a burguesia incipiente.

ANDERSON, P. In: DEYON, P. O mercantilismo. Lisboa: Gradiva,1989 (adaptado).


TEXTO II

As interferências da legislação e das práticas exclusivistas restringem a operação benéfica da lei natural na esfera das relações econômicas.

SMITH, A. A riqueza das Nações. São Paulo: Abril Cultural, 1983 (adaptado).


Entre os séculos XVI e XIX, diferentes concepções sobre as relações entre Estado e economia foram formuladas. Tais concepções, associadas a cada um dos textos, confrontam-se, respectivamente, na oposição entre as práticas de

valorização do pacto colonial — combate à livre-iniciativa.

defesa dos monopólios régios — apoio à livre concorrência.

formação do sistema metropolitano — crítica à livre navegação.

abandono da acumulação metalista — estímulo ao livre-comércio.

eliminação das tarifas alfandegárias — incentivo ao livre-cambismo.

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Todo homem de bom juízo, depois que tiver realizado sua viagem, reconhecerá que é um milagre manifesto ter podido escapar de todos os perigos que se apresentam em sua peregrinação; tanto mais que há tantos outros acidentes que diariamente podem aí ocorrer que seria coisa pavorosa àqueles que aí navegam querer pô-los todos diante dos olhos quando querem empreender suas viagens.

J. P T Histoire de plusieurs voyages aventureux. 1600. In: DELUMEAU, J . História do medo no Ocidente: 1300-1800. São Paulo: Cia. das Letras, 2009 (adaptado).


Esse relato, associado ao imaginário das viagens marítimas da época moderna, expressa um sentimento de

gosto pela aventura.

fascínio pelo fantástico.

temor do desconhecido.

interesse pela natureza.

purgação dos pecados.

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Lembro, a propósito, uma cerimônia religiosa a que assisti na noite de Santo Antônio de 1975 quando presente a uma festa em honra do padroeiro. Ia a coisa assim bonita e simples, até que, recitadas as cinco dezenas de ave-marias e os seus padre-nossos, chegou a hora do remate com o canto da salve-rainha. O capelão começou a entoar nesse instante hino à Virgem, em latim “Salve Regina, mater misericordiae”, e, o que eu estranhei, foi seguido de pronto sem qualquer hesitação pelos presentes. Depois veio o espantoso para mim: a reza, também entoada, de toda a extensa ladainha de Nossa Senhora igualmente em latim. Eu olhava e não acabava de crer: aqueles caboclos que eu via mourejando de serventes nas obras do bairro estavam agora ali acaipirando lindamente a poesia medieval do responso.
BOSI, A. Dialética da colonização. São Paulo: Cia. das Letras, 1992.

O estranhamento do autor diante da cerimônia relaciona-se ao encontro de temporalidades que

questionam ritos católicos.

evidenciam práticas ecumênicas.

elitizam manifestações populares.

valorizam conhecimentos escolares.

revelam permanências culturais.

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    No seio de diversos povos africanos, nomeadamente no antigo Reino do Congo, existem testemunhos gráficos de que a escrita tomava várias formas. Exemplo disso são as tampas de panela esculpidas em baixo-relevo do povo Woyo (região de Cabinda), com cenas e provérbios do cotidiano, desenhos na terra ou areia, imagens gravadas ou inscritas nos bastões de chefe ou em pedras sagradas, mas, sobretudo, movimentos do corpo humano inscritos num gestual familiar. Entre os Woyo existia o costume de os pais oferecerem aos filhos testos ou tampas de panelas entalhados, transmitindo uma espécie de recado, com signos codificados que traduziam orientações para conseguir uma boa relação conjugal, ter sensatez na escolha do cônjuge e estar alerta para as dificuldades do casamento.


RODRIGUES, M. R. A. M.; TAVARES, A. C. P. Singularidades museológicas de uma tábua com esculturas em diálogo: do alambamento ao casamento em Cabinda (Angola).

Anais do Museu Paulista, n. 2, maio-ago. 2017 (adaptado). 
Para o povo Woyo, os artefatos culturais mencionados no texto cumprem a função de um

pedagogia dos costumes sociais.

imposição das formas de comunicação.

desvalorização dos comportamentos da juventude.

destituição dos valores do matrimônio.

etnografia das celebrações religiosas.

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    É preciso usar de violência e rebater varonilmente os apetites dos sentidos sem atender ao que a carne quer ou não quer, mas trabalhando por sujeitá-la ao espírito, ainda que se revolte. Cumpre castigá-la e curvá-la à sujeição, a tal ponto que esteja disposta para tudo, sabendo contentar-se com pouco e deleitar-se com a simplicidade, sem resmungar por qualquer incômodo.


KEMPIS, T. Imitação de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2015.


Qual característica do ascetismo medieval é destacada no texto?

Exaltação do ritualismo litúrgico.

Afirmação do pensamento racional.

Desqualificação da atividade laboral.

Condenação da alimentação impura.

Desvalorização da materialidade corpórea.

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196º — Se alguém arranca o olho a um outro, se lhe deverá arrancar o olho.

197º — Se ele quebra o osso a um outro, se lhe deverá quebrar o osso.

198º — Se ele arranca o olho de um liberto, deverá pagar uma mina.

199º — Se ele arranca um olho de um escravo alheio, ou quebra um osso ao escravo alheio, deverá pagar a metade de seu preço.

Código de Hamurabi. Disponível em: www.dhnet.org.br. Acesso em: 6 dez. 2017. 

Esse trecho apresenta uma característica de um código legal elaborado no contexto da Antiguidade Oriental explicitada no(a)

recusa do direito natural para expressão da vontade divina.

caracterização do objeto do delito para a definição da pena.

engajamento da coletividade para a institucionalização da justiça.

flexibilização das normas para garantia do arbítrio dos magistrados.

cerceamento da possibilidade de defesa para preservação da autoridade.

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